segunda-feira, janeiro 23, 2006

Eu não sou Pathos! Ou: porque a escolha do tema foi ruim. Ou: Eu sou um chato.

Eu não sou Pathos! Ou porque a escolha do tema foi ruim. Ou ainda, eu sou um chato!

Jesus usa Pathos para se referir à Sua morte porque esta palavra significa sofrer. Segundo Strong:

G3958
πάσχω, πάθω, πένθω
paschō  pathō  penthō
pas'-kho, path'-o, pen'-tho
Apparently a primary verb (the third form used only in certain tenses for it); to experience a sensation or impression (usually painful): - feel, passion, suffer, vex.

Paixão não tem nada haver com amor. Paixão significa viver uma sensação, geralmente dolorosa.

Ué, mas não devemos estar tão cheios do Espírito que agüentaríamos qualquer dor? Sofrer pelo evangelho não é bom?

Depende.

Comentei com minha amada esposa sobre a mensagem de Will no domingo. A mensagem, como as mensagens sobre missões em geral, nos coloca contra a parede do: “você vai largar tudo o que tem para seguir Jesus?” “Você vai deixar seu pai, sua filha, sua esposa, sua casa, seu emprego e seguir Jesus?” “Você vai passar fome como Paulo passou pelo Evangelho?” e para seguir o tema anual: “Você é capaz de deixar tudo por sua paixão?”

(Matthew 19:29 PJFA)  E todo o que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou filhos, ou terras, por amor do meu nome, receberá cem vezes tanto, e herdará a vida eterna.

Esse é o resumo da ópera. O que me incomoda é a pressão que é feita por causa disso. Ter amor ao nome de Jesus NÃO significa uma vida de privações e sofrimento. Não necessariamente. Cada um tem seu chamado. O plano de Deus é customizado. Ele sabe o que somos e o que podemos dar. E isso não é desculpa para acomodação, mas apenas a lembrança de Ele é o Pai que nos recebe como somos e quer nos dar amor e carinho. Se meu chamado é para vender tudo e ir pra África, então Deus vai providenciar tudo. Isso não será um sofrimento para mim, mas uma dádiva. Isso não será um ato de paixão, mas uma decisão racional de atender ao chamado do Senhor.

O que parece, e aqui me lembro da “Paixão ORKUT” para a qual Tico chamou a atenção, é que o importante é mostrar-se apaixonado. Escrever Jesus em todos os cantos. Tatuar na testa que é crente. Fazer corações com a inscrição “Eu e Jesus”. Usar roupa de crente, ouvir música de crente, falar gíria de crente, comer comida de crente.

O que queremos? Parecer mais crente que os outros? Mais apaixonado que o outro? Escrever no ORKUT, no blog, na testa, que somos apaixonados?

Tuti-fruti com aspartame!

É confundir avivamento com pulos, gritos, mãos ao alto e cara de dor. Vida santa com vida chata. Sacrifício com sofrimento.

Tenho sempre em mente a passagem em que Jesus nos dá conforto:

Matthew 11:28-30 PJFA
(28)  Vinde a mim, todos os que estai cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.
(29)  Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas.
(30)  Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo e leve.

Estou cansado da cobrança para provar que sou crente. “Se você é crente meeeesmo, então não vai a festa” “Se você é crente meeeeesmo, então não ouça esta música” “Se você é crente meeeeeeeeeeesmo então faça o que eu digo, para que eu não me escandalize.”

Só mais duas palavras:

ME POUPE!

7 Comments:

At 6:29 PM, Anonymous Anônimo said...

Cara, o que eu acho é: o tema não vai mudar, a as pessoas da liderança vão com ele até o fim, e 1. a gente continua enchendo o saco com as nossas discordâncias, ou 2. a gente deixa de lado e vai pra casa, ou 3. a gente, como Alê e Bionca, tenta tirar leite espiritual de pedra e fazer alguma diferença, apesar de tudo.

Eu também acho o tema mal encaixado (para dizer o mínimo), mas serão quase 12 meses em que o ministério jovem da nossa igreja vai tentar fazer a obra de Deus através dele. Eles já ouviram as críticas, e até ouviram de boa vontade. Confie no Espírito que move as pessoas, e tente aprender o que eu também estou tentando: a apoiar até aqueles que não fazem tudo segundo a minha cabeça.

abraços.

 
At 6:57 PM, Blogger Vinicius Pimentel said...

gostei do comentário do luiz mas acho que não temos só três opções como ele disse. o que eu acho é que devemos parar de nos omitir. se você acha que estão fazendo um monte de merda porque você não vai lá e mostrar como é que se faz. tô falando isso pra vc mas serve pra mim e pra todo mundo (inclusive pra mim). sei que é difícil trabalhar com pessoas que pensam diferente de vc ou que nem se dão ao trabalho de pensar, mas acho que só vai ser do jeito que a gente quer quando a gente meter a mão na massa e fazer, nós mesmos. o que vc acha?

um abraço

 
At 1:57 AM, Anonymous Anônimo said...

em primeiro instante, faço minhas as palavras do luiz.
mas eu gostaria de saber marcelo, como vc acha que esse tema pode ser trabalhado de uma maneira que a gente possa otimzá-lo?

bjo

 
At 11:14 AM, Anonymous Anônimo said...

Antes de me chamarem de puritano e hipócrita, notem bem: EU ME INCLUO (e muito) no que vou dizer abaixo. Me INCLUO, ok?

Sem querer jogar gasolina na fogueira,

Muitas dicussões e pouca ação.
Muita órbita e pouco pouso.
Muita filosofada e pouca conversão.
Muito crente exaurindo detalhes enquanto muito colega de trabalho/faculdade vai para o inferno.
Muita gente criticando lideranças políticas fazendo política.
Muito pecado rolando solto enquanto se discute legalismo.

 
At 11:58 AM, Blogger Marcelo Patropi said...

É... pois é... a coisa tá feia...

Também me incluo nessa.

 
At 11:58 PM, Anonymous Anônimo said...

Bom texto irmãzinho e cunhado!
Ele veio para que tivéssemos vida, e vida em abundância... Liberdade

Não gosto de comida de crente, de programa de crente, de música de crente, de cheiro de crente, aliás não gosto do termo CRENTE. Mas será que é necessário ficar afirmando isso o tempo todo? Será que precisamos nos comportar de forma "teatral" só para afirmar a sociedade crente que eles estão errados. Queremos ser aceitos, pelas nossas escolhas, mas não aceitamos (ok, eu não aceito) as escolhas dos outros. Isso não parece muito mais inteligente.
Infelizmente algumas pessoas só conhecem o legalismo, e precisam disso para viver. Adoram a Deus desse jeito.. quem sou eu para esfregar um papel na cara delas e dizer que estão erradas?

 
At 11:30 AM, Blogger Rafael Ruivo said...

Como o Lael falou, temos que por tudo na perspectiva certa. É importante lidar com a igreja sim, mas desafios organizacionais não podem nos cegar para o que é realmente importante - pessoas vão para o inferno mesmo. Nada é mais importante do que isso.
Não que isso invalide o trabalho do Min., de forma alguma, mas apenas evidencia que não é o fim do mundo que ele seja mal gerenciado e que o tema tenha sido infeliz. E, apesar de tudo isso, um trabalho pode ser bem-feito sim, apesar da gerência...
Vocês são heróis em lutar por essa causa, meus parabéns para vocês que têm estômago para lidar com isso. Eu não tenho, e oro a Deus para que eu volte a ter...

 

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